quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

4º Post. "Iniciando mais uma etapa, agora com o ilizarov"

   Véspera da cirurgia, internei á tarde. Estava muito ansiosa, como um pouco de medo, confesso. Tava marcada pro outro dia às 07:00 hs. Quase nem dormi, e a noite passava devagar que era uma beleza. Entre uns cochilos e outros o dia foi amanhecendo, e logo foram me buscar pro centro cirúrgico. Assim que cheguei  lá, me aplicaram anestesia e me doparam pra mim dormir, eu pedi antes de tudo, que fizessem com que eu dormisse logo, assim foi feito.
   Depois de horas, quando acordei, ja estava lá a querida gaiola, na minha perna, 13 pinos enfiado no osso. A anestesia foi passando, e dor foi chegando devagarinho, recebi alta com 2 dias depois. Já em casa, quem disse que conseguia dormir, gente, como dói esse monte de ferros na perna, era remédios e mais remédios, tava até com medo de beber tantos remédios sem fazer efeitos, mas pra frente podia abalar meus rins.
   Tem horas que dá vontade de desistir da vida, é muito tenso, ficar sentindo dor o dia todo, a gente fica estressada, e acaba descontando em quem num tem nada haver. Só quem passa por tudo isso, sabe o tanto que a gente sofre, são dores, perna inchada, curativos. Falando nisso, depois do hospital quem me ajudou com meus curativos, foi minha ex-cunhada, tenho que agradecer muito pra ela, pela coragem e pela paciência. Eu não tinha coragem de olhar pra minha perna, só comecei olhar depois do enxerto, dizem que era horrível, a perna quase toda na carne sem pele, nem gosto de imaginar.
   Sofri de mais nos primeiros meses de gaiola, dói de mais, nem mexia a perna, com medo. Até que um dia o meu médico, me receitou um remédio chamado"GABANEURIN". Esse sim, é um bom remédio, depois que comecei a tomar ele, minhas dores foram diminuindo, a até dormindo mais eu estava conseguindo. Os meses foram passando, e hoje 7 meses depois, não sinto mais nenhuma dor, graças a Deus. Dor nenhuma mesmo, tem hora que nem parece ter ferros na minha perna. Estou começando a andar agora com moletas agora, depois de meses da cama pro sofá pela cadeira de rodas e vice-versa. Como fiquei meses sem movimentar meu joelho, ele agora não dobra, os nervos encurtaram. Me arrependo muito de não ter mexido, mas fazer o que né, e foi um trauma violento, que to perdendo o medo só agora. Perdi veias nervos e alguns tendões também, por isso não tenho muitos movimentos no pé também.
   Mas to aqui na luta, vencendo cada passo, e reaprendo a andar de novo, começando do zero. Tenho fé que logo isso tudo vai passar e bola pra frente. Foco, força e fé.







quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

3º Post. "A volta para casa, e a vida continua"

É... Nada melhor do que chegar em casa, depois de 2 meses de sofrimento internada em um hospital. Lá é um lugar onde muita gente que reclama da vida, deveria ir visitar algumas pessoas internadas, para poder refletir o que é dar valor à vida. Cada história, cada sofrimento que cada um passa, lutando para sobreviver. Mas é assim, só sabe, quem passa.
Enfim, foram noites e dias sem conseguir dormir, com muita dor, na minha perna. Nenhum remédio fazia om que eu conseguisse dormir. Uma semana em casa, era uma tarde de sexta-feira, dores e dores, já não aguentava mais, então insisti para minha mãe e meu marido que me levasse para o pronto socorro. Naquele dia minha perna estava dando umas fisgadas, umas pontadas que nunca tinha sentido antes. Chegando no pronto socorro, fui direto pra enfermaria e logo me aplicaram remédio, mas nada da dor passar.
Uns 15 dias minutos depois lembro que a dor tava diminuindo e desmaiei. Não lembro de mais nada. Acordei assustada, tinha uns 10 pessoas ao redor, de mim, eram médicos e residentes, lembro que começaram a me fazer um monte de perguntas, ai perguntei o que tava acontecendo que tava todos me olhando, aí meu marido me disse que eu tinha tido uma convulsão. Fizeram um monte de exames, e até hoje não sei o porque que tive aquela convulsão, mas graças a Deus nunca mais tive uma outra crise.
Os dias foram passando até chegar o dia do retorno ao médico para saber o que eles iao fazer para que eu não perdesse a perna. Estava muito aflita, pois ainda eu não conhecia o método do ilizarov, então não entendia o que eles pretendiam fazer para que minha perna ficasse boa, pois uma perca óssea e 15 cm da tíbia, é muita coisa. Eu desde o início estava com um tipo de fixador, para que minha perna ficasse firme e não encurtasse o tamanho.
Quando fui no retorno, meu médico então me disse que eu teria que usar um aparelho chamado ilizarov. Me explicou como que é o tratamento, e me respondeu todas minhas perguntas, para iniciante, claro que ia ter muitas dúvidas. Marcamos a cirurgia. Então, viva o ilizarov!!!






2º Post ... "Continuação, já no hospital."

Bem, como disse anteriormente, que quase não deixaram eu entrar no hospital, mas viram que meu caso era grave e que podia perder minha perna. Entre pra enfermaria, e tive que aguardar um centro cirúrgico desocupar pra eles então me levar pra lá. Nisso o tempo ia passando, eu estava perdendo muito sangue ainda, eu lembro que nunca senti tanta sede na minha vida. Pedia água, eles não me davam, minha pressão estava abaixando, fiquei 7 hrs, a espera de uma cirurgia.
Fiquei todo o tempo consciente e com muitas dores pelo corpo. Com o passar das horas, um paramédico que me antedia, me informou que eu já ia pro centro cirúrgico, e assim me levaram pra lá, e só lembro na hora que me aplicaram a anestesia.

Dormi todo o tempo depois e só acordei no dia seguinte, logo pela manha. olhei pro lado e meu marido estava lá me olhando descabriado. No leito, não conseguia me mexer. Tive um susto tão grande quando acordei, olhei pra minha perna, o porque eu não tava conseguindo me mexer, estava com a perna cheia de ferros da cintura até no pé, com o braço engessado, e minha perna inchada quase o triplo do normal, e ainda, respirando com ajuda de aparelhos. Entrei em desespero, comecei a chorar. Tinha quebrado 2 costelas, o punho, o fêmur em 3 lugares quase uma fratura exposta, uma fratura exposta na tíbia, com perda óssea de 10 cm, e 6 cm da fíbula.
No mesmo dia em que acidentei, por ter sido na estrada de terra e meu osso exposto na mesma, pegou uma infecção gravíssima que nem lembro o nome. Com o passar dos dias, fui  tomando sangue, porque havia perdido muito sangue e entrei numa anemia quase profunda, tomei uns antibióticos de tudo quanto e jeito. A minha perna, ficou gravemente quase destruída, perdi alguns tendões, veias, a pele foi necrosando, e cada curativo tinham que retirar a pele morta, e nisso foi só aprofundando cada vez mais.
Uns 15 dias depois fiz uma cirurgia para retirar o fixador do fêmur e colocar uma placa.
Os meus curativos da tíbia eram feitos 1 vez por semana só em centro cirúrgico o chamado "debridamento", pois era muito complicado, demorado e dolorido de mais. 1 mês depois, num certo dia veio o médico e me deu uma noticia que me deixou em pânico, ele disse que minha infecção tinha se agravado, e tava subindo pelo osso, e não tinha mais o que fazer, o jeito era ter que amputar minha perna, eu estava com 99% de chances de perder-la. Eu entrei em choque, só chorava o dia todo, meu marido tava lá me apoiando, os médicos mandaram eles chamar meus pais para conversar com eles. Foram dias de agonia, pedia pra Deus não deixar isso acontecer comigo. Os médicos então levaram o chefe dos chefes da traumato pra me avaliar, até então eu não conseguia mexer meu pé, ele começou a passar a caneta no pé pra ver se eu sentia algo sem que eu veja, aii eu senti cócegas, eu tinha um debridamento naquele dia, ele disse que ia fazer uma análise na minha perna pra entender melhor, e assim foi feito. Eu acho que foi um milagre e que Deus enviou aquele homem até mim. Após o debridamento, o médico veio me dizer, que eu não ia mais perder a perna, foi uma alegria imensa que não sabia o que dizer. Como em cada debridamento eu, era anestesiada e dormia em todo o processo, o médico retirou mais 5 cm do osso que tava infectado, e me passou um antibiotico mais forte que tinha no hospital. Dias depois foi outra noticia boa, minha infecção tinha totalmente acabada, cada dia era uma nova vitória, só q tive que tomar mais bolsas de sangue, pois ainda estava com anemia, no total foram 17 bolsas de sangue, de 250 ml cada. Mas graças a Deus deu tudo certo.
1 mês e meio internada, hora do enxerto de pele, minha perna sem infecção nenhuma, sem nenhuma pele necrosada. Retiraram o chamado "retalho" da pele da coxa, para cobrir toda a perna onde estava na carne. Com 15 dias depois, o resultado: A pele tinha pegado 100%, graças ao bom Deus. Fiquei mais 15 dias internada, e enfim, a melhor noticia, recebi alta. Nem tava acreditando que ja ia voltar para minha casa. Nada melhor que a volta pra casa depois de 2 meses em um hospital, né

Continua...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

1º Post. "O dia que nunca mas vai sair da minha cabeça."

Olá, Tudo bem?

Me chamo Vânia, tenho 24 anos. Criei esse blog, para compartilhar uma fase da minha vida que está sendo muito difícil desde um acidente de moto no dia: 23-04-2013. Há 10 meses atrás.

Antes de tudo: Bom, eu trabalhava em restaurante de domingo à domingo, tinha 4 anos. Estava ficando muito cansativo, e o marido cobrando que não tinha tempo pra ele e tal. Faltando um mês pra completar 4 anos de serviço, peguei férias e desde então fui procurar um outro serviço. Arrumei um de auxiliar de escritório,  fiquei muito feliz por ter arrumado esse emprego, ai no outro dia já comecei a trabalhar, só que nesse serviço eu também tinha que fazer umas entregas de boletos para alguns clientes e de moto.
Tava pra vencer as férias, ai pedi conta e assinei a carteira nesse novo emprego. Tudo estava perfeito, emprego novo, menos cansativo, mais feliz. Tudo ia bem, até que com 40 dias de serviço, numa manha de terça feira, era umas 9:30 hrs. Fui fazer uma entrega de boleto, na volta para empresa resolvi voltar por outro caminho mais perto, porém, era rua que não havia nenhuma sinalização e nem era asfaltada. Eu estava aproximadamente em uns 35 km/h, estrada com muitos buracos, poucas casas, mas muitos terrenos cheio de matos, e com pouca visibilidade dentro deles.
Seguia tranquila, quando de repente, me deparei com uma caminhonete saindo de um terreno baldio e virando para minha direção, foi tudo muito rápido, a pancada foi forte, quando vi já estava no chão. O condutor da caminhonete desceu e saiu correndo, me largou sozinha lá, comecei a me desesperar, gritava socorro, e não aparecia ninguém, eu comecei a sentir muita dor na perna, no braço e nas costas. Não conseguia me mexer, só sei que minha perna doía de mais.
Até então, não sabia a gravidade que minha perna estava. Uma viatura militar, chegou no local onde eu estava, parece que foi Deus que enviou eles lá. Perguntaram como eu estava, se podia me mexer e falei que não e que sentia muita dor, ai eles ligaram pro corpo de bombeiros, ai em 15 minutos eles chegaram, e me disseram o tamanho da gravidade da minha perna, falaram que estava dilacerada. Me imobilizaram e me levaram pro Pronto socorro, chegando lá eles me encaminharam pra um hospital daqui da cidade, chegando lá, só tinha um ortopedista traumato, e ele estava no centro cirúrgico e só ia sair em 8 hrs. Então o pessoal do atendimento pediram um encaminhamento para outra cidade que fica há 30 km da minha cidade, só que lá pra eles poder me receber, tinha que esperar um leito desocupar. Durante esse tempo de espera, o médico teve uma pausa no centro cirúrgico pra ir dá uma olhada no meu caso, quando ele viu minha perna, disse que achava que minha perna não tinha como recuperar, ele colocou minha meu pé no lugar, pois ele estava virado completamente, eu não tive coragem de olhar para minha perna. Eu estava perdendo muito sangue, o médico então mandou que me levasse mesmo sem o hospital que me esperava autorizasse.
Então me levaram, nao aguentava mais de dor, a viagem durou uma meia hora, chegando lá, a recepção não queria me deixar entrar, pois o SUS não tinha liberado ainda, mas graças a Deus, me deixaram entrar.

Continua...